sábado, 28 de agosto de 2021

O Santo Rosário - São Luís Maria G. de Montfort

 Método de São Luís Maria G. de Montfort para rezar com fruto o Santo Rosário



A recitação do Santo Rosário sempre foi incentivada pela Igreja, desde que foi dado a São Domingos Gusmão por Nossa Senhora como arma poderosíssima para vencer os erros de seu tempo. Assim ocorreu na história nas vitórias sobre a heresia albigense e sobre os maometanos do Império Otomano.

 

Aqueles que rezam o Santo Rosário frequentemente recebem não só inúmeras graças dos céus, mas também indulgências concedidas pela Santa Igreja. A seguir apresentamos o método de São Luís Maria Grignion de Montfort para se rezar o Santo Rosário com fruto, tendo em mente os próprios conselhos do santo sobre esta devoção: o Rosário é uma oração vocal e mental, ou seja, as orações devem ser faladas piedosamente e os mistérios da vida de Nosso Senhor devem ser meditados;  deve-se rezar não deixando de fazer pedidos a Nosso Senhor e sem pressa para terminar imediatamente.


São Luís Maria Grignion de Montfort

Ressaltamos ainda quão proveitoso é rezar o Santo Rosário por este método diante do Santíssimo Sacramento, sendo assim possível obter indulgência plenária nas condições usuais, ou seja, havendo confissão e comunhão.

 

Oração Inicial

Uno-me a todos os santos que estão no Céu, a todos os justos que estão sobre a Terra, a todas as almas fiéis que estão neste lugar. Uno-me a Vós, meu Jesus, para louvar dignamente vossa Santa Mãe, e louvar-Vos a Vós, nEla e por Ela. Renuncio a todas as distrações que me sobrevierem durante este Rosário, que quero recitar com modéstia, atenção e devoção, como se fosse o último de minha vida. Assim seja.


Nós Vos oferecemos, Trindade Santíssima, este Credo, para honrar os mistérios todos de nossa Fé; este Padre Nosso e estas três Ave-Marias, para honrar a unidade de vossa essência e a trindade de vossas pessoas. Pedimo-Vos uma fé viva, uma esperança firme e uma caridade ardente.

 

Credo, Pai-Nosso;

Ave Maria, Filha bem-amada do Padre Eterno. Ave Maria…
Ave Maria, Mãe admirável de Deus Filho. Ave Maria…
Ave Maria Esposa fidelíssima de Deus Espírito Santo. Ave Maria…

Glória ao Pai…

 

Mistérios Gozosos
I

Nós Vos oferecemos, Senhor Jesus, esta primeira dezena, em honra de vossa Encarnação no seio de Maria; e Vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, uma profunda humildade. Assim seja.
Pai Nosso, dez Ave-Marias, Glória.
Graças ao mistério da Encarnação, descei em nossas almas. Assim seja.

II

Nós Vos oferecemos, Senhor Jesus, esta segunda dezena, em honra da Visitação de Vossa Santa Mãe à sua prima Santa Isabel e da santificação de São João Batista; e Vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de Vossa Mãe Santíssima, a caridade para com nosso próximo. Assim seja.
Pai Nosso, dez Ave-Marias, Glória.
Graças ao mistério da Visitação, descei em nossas almas. Assim seja.

III

Nós Vos oferecemos, Senhor Jesus, esta terceira dezena, em honra de Vosso Nascimento no estábulo de Belém; e Vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de Vossa Mãe Santíssima, o desapego dos bens terrenos, o desprezo das riquezas e o amor à pobreza. Assim seja.
Pai Nosso, dez Ave-Marias, Glória.
Graças ao mistério do Nascimento de Jesus, descei em nossas almas. Assim seja.

IV

Nós Vos oferecemos, Senhor Jesus, esta quarta dezena, em honra de Vossa Apresentação no Templo e da Purificação de Maria; e Vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de Vossa Mãe Santíssima, uma grande pureza de corpo e de alma. Assim seja.
Pai Nosso, dez Ave-Marias, Glória.
Graças ao mistério da Purificação, descei em nossas almas. Assim seja.

V

Nós Vos oferecemos, Senhor Jesus, esta quinta dezena, em honra de vosso reencontro por Maria; e Vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de Vossa Mãe Santíssima, a verdadeira sabedoria. Assim seja.
Pai Nosso, dez Ave-Marias, Glória.
Graças ao mistério do Reencontro de Jesus, descei em nossas almas. Assim seja.

 

Mistérios Dolorosos
VI

Nós Vos oferecemos, Senhor Jesus, esta sexta dezena, em honra de vossa Agonia mortal no Jardim das Oliveiras; e Vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, a contrição de nossos pecados. Assim seja.
Pai Nosso, dez Ave-Marias, Glória.
Graças ao mistério da Agonia de Jesus, descei em nossas almas. Assim seja.

VII

Nós Vos oferecemos, Senhor Jesus, esta sétima dezena, em honra de vossa sangrenta Flagelação; e Vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de Vossa Mãe Santíssima, a mortificação de nossos sentidos. Assim seja.
Pai Nosso, dez Ave-Marias, Glória.
Graças ao mistério da Flagelação de Jesus, descei em nossas almas. Assim seja.

VIII

Nós Vos oferecemos, Senhor Jesus, esta oitava dezena, em honra de vossa Coroação de Espinhos; e Vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de Vossa Mãe Santíssima, o desprezo do mundo. Assim seja.
Pai Nosso, dez Ave-Marias, Glória.
Graças ao mistério da Coroação de Espinhos, descei em nossas almas. Assim seja.

IX

Nós Vos oferecemos, Senhor Jesus, esta nona dezena, em honra do Carregamento da Cruz; e Vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de Vossa Mãe Santíssima, a paciência em todas as nossas cruzes. Assim seja.
Pai Nosso, dez Ave-Marias, Glória.
Graças ao mistério do Carregamento da Cruz, descei em nossas almas. Assim seja.

X

Nós Vos oferecemos, Senhor Jesus, esta décima dezena, em honra de vossa Crucifixão e Morte ignominiosa sobre o Calvário; e Vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de Vossa Mãe Santíssima, a conversão dos pecadores e o alívio das almas do purgatório. Assim seja.
Pai Nosso, dez Ave-Marias, Glória.
Graças ao mistério da Crucifixão de Jesus, descei em nossas almas. Assim seja.

 

Mistérios Gloriosos
XI

Nós Vos oferecemos, Senhor Jesus, esta undécima dezena, em honra de vossa Ressurreição gloriosa; e Vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de vossa Mãe Santíssima, o amor de Deus e o fervor no vosso serviço. Assim seja.
Pai Nosso, dez Ave-Marias, Glória.
Graças ao mistério da Ressurreição, descei em nossas almas. Assim seja.

XII

Nós Vos oferecemos, Senhor Jesus, esta duodécima dezena, em honra de vossa triunfante Ascensão; e Vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de Vossa Mãe Santíssima, um ardente desejo do Céu, nossa cara pátria. Assim seja.
Pai Nosso, dez Ave-Marias, Glória.
Graças ao mistério da Ascensão, descei em nossas almas. Assim seja.

XIII

Nós Vos oferecemos, Senhor Jesus, esta décima terceira dezena, em honra do mistério de Pentecostes; e Vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de Vossa Mãe Santíssima, a descida do Espírito Santo em nossas almas. Assim seja.
Pai Nosso, dez Ave-Marias, Glória.
Graças ao mistério de Pentecostes, descei em nossas almas. Assim seja.

XIV

Nós Vos oferecemos, Senhor Jesus, esta décima quarta dezena, em honra da ressurreição e triunfal Assunção de vossa Mãe ao Céu; e Vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de Vossa Mãe Santíssima, uma terna devoção a tão boa Mãe. Assim seja.
Pai Nosso, dez Ave-Marias, Glória.
Graças ao mistério da Assunção, descei em nossas almas. Assim seja.

XV

Nós Vos oferecemos, Senhor Jesus, esta décima quinta dezena, em honra da Coroação gloriosa de vossa Mãe Santíssima no Céu; e Vos pedimos, por este mistério e pela intercessão de Vossa Mãe Santíssima, a perseverança na graça e a coroa da glória. Assim seja.
Pai Nosso, dez Ave-Marias, Glória.
Graças ao mistério da Coroação gloriosa de Maria, descei em nossas almas. Assim seja.

 

Oração Final

Eu Vos saúdo, Maria, Filha bem-amada do eterno Padre, Mãe admirável do Filho, Esposa mui fiel do Espírito Santo, templo augusto da Santíssima Trindade; eu Vos saúdo, soberana Princesa, a quem tudo está submisso no Céu e na Terra; eu Vos saúdo, seguro refúgio dos pecadores, que jamais repelistes pessoa alguma. Pecador que sou, me prostro a vossos pés, e Vos peço de me obter de Jesus, vosso amado Filho, a contrição e o perdão de todos os meus pecados, e a divina sabedoria. Eu me consagro todo a Vós, com tudo que possuo. Eu Vos tomo, hoje, por minha Mãe e Senhora. Tratai-me, pois, como o último de vossos filhos e o mais obediente de vossos escravos. Atendei, minha Princesa, atendei aos suspiros dum coração que deseja amar-Vos e servir-Vos fielmente. Que ninguém diga que, entre todos que a Vós recorreram, seja eu o primeiro desamparado. Ó minha esperança, ó minha vida, ó minha fiel e Imaculada Virgem Maria, defendei-me, nutri-me, escutai-me, instruí-me, salvai-me. Assim seja.


Fonte: Salve Maria

2 de outubro de 2017 


sexta-feira, 21 de maio de 2021

Campanha “O que faz uma mãe feliz?” em prol do Noviciado dos Legionários de Cristo

Uma ação inédita em prol das vocações: campanha do Regnum Christi, promovida pelo apostolado Virgem Peregrina da Família e o Instituto Católico de Liderança, vai apoiar o Noviciado dos Legionários de Cristo, em Arujá/SP

Pela primeira vez, o apostolado do Regnum Christi da Virgem Peregrina da Família une esforços em todo o país, em parceria com o Instituto Católico de Liderança, em prol do Seminário dos Legionários de Cristo, em Arujá/SP. Até o dia 31 de maio, acontece uma ação inédita promovendo a campanha “O que faz uma mãe feliz?”, em busca de doações que auxiliem o seminário em sua manutenção e na promoção das vocações sacerdotais. Os donativos podem ser realizados aqui. 

A campanha acontece em três etapas, apresentando as faces da maternidade, tendo seu ponto alto na mãe de todas as mães: Maria. Passando pela maternidade no cotidiano, a maternidade espiritual e, por fim, a plenitude da maternidade, em Maria, o objetivo é convidar a todos a responderem: “O que faz a Mãe feliz?” Ou seja, o acompanhamento e a realização dos seus filhos prediletos através de uma entrega total a Cristo.

A maternidade é regada por mistérios, é um dom, uma particularidade da maior reserva de amor que Deus colocou no mundo: as mães. Dedicar-se à felicidade dos filhos, perpassa por conhecer um mundo novo, realizar descobertas, experienciar o amor, oferecer-se sem reservas. E uma mãe que se doa por inteiro, biologicamente ou espiritualmente, concretiza essa missão e se abre aos planos do Senhor.

É uma entrega diária de zelo e cuidado. Em cada família que se abre a formar e acompanhar na vivência da fé. E é assim que o chamado vocacional é semeado, germina e cresce. O amor ao sacerdócio é regado pela vida de oração e a pureza dos filhos amados com predileção é cultivada desde o coração afetuoso de Maria.

Manutenção do seminário ficou comprometida com a pandemia

Desde o início da pandemia da Covid-19, as doações e recursos da Legião de Cristo no Brasil foram afetados e reduzidos. O impacto foi sentido, especialmente, no Noviciado de Arujá/SP, que teve sua principal fonte de manutenção – o aluguel do espaço para eventos e atividades – tendo que paralisada em função da quarentena. Sem atividades, a casa de retiros do seminário deixou de gerar receita, gerando um déficit cada vez maior aos Irmãos Legionários.

Segundo o Irmão Ícaro de Faria, LC, administrador do noviciado, medidas drásticas para conter o déficit já foram tomadas e os gastos básicos com a manutenção da casa, tais como alimentação, gás e energia, aumentaram. “Hoje, estamos vivendo de recursos que estavam destinados a outros projetos referentes à melhoria da nossa formação. No entanto, se permanecermos por mais alguns meses nessa situação, o impacto será direto nos serviços de promoção às vocações e, principalmente, no tempo e qualidade dos estudos dos noviços. E isso pode afetar o caminho de preparação para o sacerdócio dos irmãos do nosso seminário”, afirma.

Para reverter essa situação, os membros do Regnum Christi, leigos e encarregados do apostolado Virgem Peregrina da Família, criaram a campanha “O que faz uma mãe feliz?”.

Não deixe de participar e compartilhar essa iniciativa, uma oportunidade concreta de promover e acompanhar as vocações sacerdotais. Mais informações em: https://lecristo.colabore.org/uma-mae-feliz/people/new

Para conhecer os Legionários de Cristo, acesse: www.legionariosdecristo.com.br 

Participe conosco desta linda campanha pelo 

Instagram: https://www.instagram.com/virgemperegrinasp/


www.virgemperegrina.com.br


quinta-feira, 20 de maio de 2021

IGREJA CELEBRA O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS E O IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

O mês de junho é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus. Essa é uma data móvel, celebrada na segunda sexta-feira após a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, Corpus Christi.

A Igreja, liturgicamente, celebra a memória do Imaculado Coração de Maria no sábado seguinte ao segundo domingo de Pentecostes.


Conheça a íntima ligação que existe entre as devoções ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria.

Fonte: Canção Nova 

A devoção ao Sacratíssimo Coração de Jesus e ao Puríssimo Coração de Maria são muito próximas na piedade dos fiéis e isto se reflete na Liturgia da Igreja, que fixa a memória do Imaculado Coração de Maria no sábado logo depois da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, que se dá na última sexta-feira do mês Junho. este anos temos uma exceção, pois a última sexta-feira cai no fim do mês e, por isso, é transferida para a sexta anterior, para que no sábado seja celebrada a memória do Imaculado Coração de Maria.

Os devotos do Sagrado Coração de Jesus são sempre muito devotos do Imaculado Coração da Santíssima Virgem. Por sua vez, os devotos do Imaculado Coração de Maria são também muito devotos do Sagrado Coração de Jesus. Esta íntima ligação entre estas devoções existe porque toda verdadeira devoção ao Coração de Maria conduz ao Coração de Jesus, que no momento derradeiro da sua vida terrena nos confiou à sua Mãe1. Dessa forma, Maria nos conduz a Cristo, e Cristo nos conduz a Maria.

A unidade da devoção ao Coração de Jesus e de Maria

Santa Margarida Maria Alacoque compreendeu tão bem a correspondência entre as devoções aos Corações de Jesus e de Maria que considerava as duas uma só. Por isso, ela tinha o hábito de rezar esta jaculatória: “Divino Coração de Jesus eu Vos adoro e Vos amo do modo como viveis no Coração de Maria e Vos peço que vivais e reineis em todos os corações”2. O confessor de Santa Margarida, São Cláudio de la Colombière, indica o mesmo caminho indicado a nós por Jesus: “Resolvi não pedir nada a Deus em oração que não fosse por meio de Maria”3. Outros grandes santos, devotos do Sagrado Coração de Jesus, como Santa Brígida, São Francisco de Sales e São João Eudes, referiam-se ao Coração de Jesus e de Maria, no singular, para evidenciar a perfeita união de sentimentos e disposições entre o Coração da Mãe e do Filho. Este vínculo também se faz presente no lema “Per Mariam ad Cor Iesu” (Por Maria ao Coração de Jesus), dos Missionários do Sagrado Coração e as Filhas de Nossa Senhora do Sagrado Coração.

São João Eudes, convicto de que esta devoção tinha sua origem num desígnio providencial, demonstrou, por argumentos teológicos, que o Coração de Jesus e o de Maria não têm diferenças entre si, mas constituem, pela união existente entre o Filho de Deus e sua Mãe Santíssima, um só e mesmo Coração. Sendo assim, não podemos separar estes Corações, que Deus uniu tão estreitamente: o Coração augustíssimo do Filho de Deus e o de sua Bem-aventurada Mãe. Ao contrário, a exemplo dos membros da Congregação de Jesus e Maria, fundada pelo Padre João Eudes, devemos contemplar e honrar estes dois amáveis Corações como um mesmo Coração, em unidade de espírito, de sentimento e de afeição, como está manifestamente expresso na saudação que fazem todos os dias ao Divino Coração de Jesus e Maria, bem como na oração e em várias partes do Ofício e da Missa que celebram na festa do Sagrado Coração de Maria Virgem.


A íntima ligaçao entre a devoção ao Coração de Jesus e ao Coração de Maria

Por causa desta íntima ligação entre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, o Papa Pio XII nos exorta:

A fim de que a devoção ao Coração augustíssimo de Jesus produza frutos mais copiosos na família cristã e mesmo em toda a humanidade, procurem os féis unir a ela estreitamente a devoção ao Coração Imaculado da Mãe de Deus. Foi vontade de Deus que, na obra da redenção humana, a santíssima virgem Maria estivesse inseparavelmente unida a Jesus Cristo; tanto que a nossa salvação é fruto da caridade de Jesus Cristo e dos seus padecimentos, aos quais foram intimamente associados o amor e as dores de sua Mãe. Por isso, convém que o povo cristão, que de Jesus Cristo, por intermédio de Maria, recebeu a vida divina, depois de prestar ao Sagrado Coração o devido culto, renda também ao amantíssimo Coração de sua Mãe celestial os correspondentes obséquios de piedade, de amor, de agradecimento e de reparação. Em harmonia com esse sapientíssimo e suavíssimo desígnio da divina Providência, nós mesmo, por ato solene, dedicamos e consagramos a santa Igreja e o mundo inteiro ao Coração Imaculado da Santíssima Virgem Maria4.

O movimento universal de consagração ao Sagrado Coração de Jesus tornou-se completo com o movimento de consagração ao Imaculado Coração de Maria, que cresceu surpreendetemente a partir do pedido feito por Nossa Senhora na Mensagem de Fátima. As aparições de Nossa Senhora em Fátima (1917), Portugal, foram precedidas pelas do Anjo da Paz (1916), ou Anjo de Portugal, que disse aos pastorezinhos: “Os Corações de Jesus e de Maria estão atentos à voz das vossas súplicas”5. Em outra aparição, o Anjo pediu aos pastorezinhos que oferecessem orações e sacrifícios em reparação pelas ofensas ao Sagrado Coração e pela conversão dos pecadores, e disse a eles: “os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia”6. Estas mensagens angélicas, que manifestam a íntima união dos Sagrados Corações, se tornariam mais compreensíveis com as palavras da bem-aventurada Jacinta, que em seu leito de morte disse à irmã Lúcia: “Tu cá ficas para dizer que Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria. O Coração de Jesus quer que, a seu lado, se venere o Coração de Maria”7.

Paralelos entre as devoções ao Coração de Jesus e ao Coração de Maria

Muitos outros paralelos entre as devoções ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria nos mostram esta íntima ligação entre ambas: a devoção das nove primeiras sextas-feiras e os cinco primeiros sábados; o espírito de oração e de reparação que anima as duas devoções; a consagração da humanidade ao Sagrado Coração de Jesus feita pelo Papa Leão XIII e o pedido de consagração da Rússia ao Imaculado Coração feito por Nossa Senhora em Fátima; a promessa do triunfo final de Nossa Senhora em Fátima: “Por fim o meu Imaculado Coração triunfará”, e a promessa repetida várias vezes pelo Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida: “Eu reinarei”.

Este paralelo sobre o triunfo dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria torna-se completo no pensamento de São Luís Maria Grignion de Monrfort, que considera o Reino de Cristo como consequência do Reino da Virgem: “Para que venha o Vosso Reino, ó Jesus, venha o Reino de Maria!”8 São Luís Maria acreditou, esperou e pediu por muitos anos a Deus que se realizasse o Reino de Jesus Cristo e da Virgem Maria nos corações dos fiéis. O Santo ainda profetizou: “mais cedo ou mais tarde a Santíssima Virgem terá um número nunca igualado de filhos, servos e escravos de amor, e que, por este meio, Jesus Cristo, meu Mestre muito amado, reinará nos corações como nunca”9. Como fez o Santo, e em atenção aos pedidos de Jesus e de Maria, rezemos e ofereçamos sacrifícios para que, por meio do Reino do Coração de Maria, “sobre as ruínas acumuladas pelo ódio e a violência, se estabeleça a civilização do amor, o Reino do Coração de Cristo”10.

Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, rogai por nós!


Links relacionados:

TODO DE MARIA. A devoção aos Corações de Jesus e de Maria.

TODO DE MARIA. As dores de Jesus e Maria e a reparação.

TODO DE MARIA. Jesus e Maria: duas colunas e dois corações.

Referências:

1 Cf. Jo 19, 25-27.

3 Idem, ibidem.

5 PADRE LUÍS KONDOR. Memórias da Irmã Lúcia, p. 78.

6 Idem, ibidem.

7 ASSOCIAÇÃO APOSTOLADO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS. Op. cit.

8 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis: Fraternidade Arca de Maria, 2002, 217.

9 Idem, 113.

10 PAPA JOÃO PAULO II. Mensagem ao Prepósito Geral da Companhia de Jesus. 5 de Outubro de 1986.


sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Ano de São José - Ano Josefino

 ANO DE SÃO JOSÉ



Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
Fonte: CNBB

O Papa Francisco – devoto ardoroso de São José e responsável por incluir esse grande santo nas Orações Eucarísticas II, III e IV do Missal Romano, conforme Decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos emitido em 1º de maio de 2013 – decretou que de 8 de dezembro deste ano a 8 de dezembro de 2021 é o Ano de São José. Além das indulgências deste tempo santo, somos convidados a conhecer mais e melhor a São José venerado com o culto de protodulia.

De início, notamos que a Escritura fala pouco de São José. Algumas de suas passagens nos parecem, porém, suficientes para compreender aquele que a Igreja chama de “homem justo”. Vejamos: Mt 1,16: “Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo”; Mt 1,18-20: “Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo. José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente. Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: ‘José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo’” e continua, no versículo 24, como conclusão dos fatos:
“Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa”.

Mateus narra também a fuga de Maria e José com o Menino Jesus para o Egito por medo do rei Herodes, após a partida dos magos, segundo Mt 2,13-15: “Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: ‘Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar’. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Do Egito chamei meu filho”. Ainda em Mt 2,19-23:

“Com a morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse: ‘Levanta-te, toma o menino e sua mãe e retorna à terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino’. José levantou-se, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel. Ao ouvir, porém, que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de seu pai Herodes, não ousou ir para lá. Avisado divinamente em sonhos, retirou-se para a província da Galileia e veio habitar na cidade de Nazaré, para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas: Será chamado Nazareno”.

Já Lucas, 2,1-5, assim diz: “Naqueles tempos, apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra. Esse recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na Síria. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade. Também José subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com a sua esposa, Maria, que estava grávida”. Dando um passo além, o mesmo evangelista diz – em 2,16 – que, no nascimento de Jesus numa manjedoura, os pastores, avisados pelos anjos, “Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura”. No mesmo capítulo, Lucas aponta indiretamente para a presença de São José ao lado de Maria e do Menino Jesus (cf. vers. 22. 27. 33. 39. 41. 42-43. 48. 51). Formam, assim, a Sagrada Família, modelo às famílias de todos os tempos.

Estas poucas citações demonstram São José como homem justo, temente a Deus e protetor valioso de Jesus-Menino e de Maria, sua mãe. Deus escolhe para fazer acontecer seu grande projeto divino os meios humanos mais simples. Como ensina a Igreja, sem ter de precisar de nós, Deus quer precisar de nós para realizar o seu grandioso projeto de amor e salvação. Projeto do qual São José participa com seu modo discreto, quase anônimo, e com poucas palavras…, mas é venerado, na Igreja, com o culto de protodulia, como afirmamos; ou seja, dentre todos os santos e santas, o primeiro (prõtos) a merecer deferência, depois da grande veneração (hiperdulia) à Mãe de Deus, Maria Santíssima, é São José, o pai adotivo de Jesus. Dentre as várias devoções populares a esse grande santo temos o de ser ele o Padroeiro da boa morte, por ter expirado nos braços de Jesus e Maria, São José de botas, demonstrando estar sempre pronto a proteger a família e a Igreja, São José dormindo, a apresentar a serenidade nascida da confiança inabalável em Deus etc.

Levando em consideração tudo isso – além do que diz a Tradição – a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos por um Decreto, emitido em 1º de maio de 2013, diz: “em virtude das faculdades concedidas pelo Sumo Pontífice Francisco, de bom grado decreta que o nome de São José, esposo da Bem-aventurada Virgem Maria, seja, a partir de agora, acrescentado na Oração Eucarística II, III e IV da terceira edição típica do Missal Romano. O mesmo deve ser colocado depois do nome da Bem-aventurada Virgem Maria como se segue: na Oração Eucarística II: ‘ut cum beata Dei Genetrice Virgine Maria, beato Ioseph, eius Sponso, beatis Apostolis’, na Oração Eucarística III: ‘cum beatissima Virgine, Dei Genetrice, Maria, cum beato Ioseph, eius Sponso, cum beatis Apostolis’; na Oração Eucarística IV: ‘cum beata Virgine, Dei Genetrice, Maria, cum beato Ioseph, eius Sponso, cum Apostolis’. Para os textos redigidos em língua latina utilizam-se as fórmulas agora apresentadas como típicas. Esta Congregação ocupar-se-á em prover à tradução nas línguas ocidentais mais difundidas; para as outras línguas a tradução deverá ser preparada, segundo as normas do Direito, pelas respectivas Conferências Episcopais e confirmadas pela Sé Apostólica através deste Dicastério”.

Surge agora a pergunta: por que o Santo Padre, o Papa Francisco, escolheu 8 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição, para o início do Ano Josefino? – Porque ele marca o 150º aniversário da promulgação do decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, intitulado Quaemadmodum Deus, com o qual o Beato Pio IX, em 1870, declarou São José, padroeiro da Igreja universal. Aquele Papa, no tempo histórico conturbado da unificação da Itália, recorreu ao casto esposo da Virgem Maria e pai adotivo do Salvador, de modo que, no citado documento, se pode ler o seguinte: “Decreto de Sua Santidade o Papa Pio IX. À Cidade [de Roma] e ao Mundo. Da mesma maneira que Deus [Quaemadmodum Deus] havia constituído José, gerado do patriarca Jacó, superintendente de toda a terra do Egito para guardar o trigo para o povo, assim, chegando a plenitude dos tempos, estando para enviar à Terra o Seu Filho Unigênito, Salvador do Mundo, escolheu outro José, do qual o primeiro era figura, fê-lo Senhor e Príncipe de sua casa e propriedade e elegeu-o guarda dos seus tesouros mais preciosos”.

“De fato, ele teve como esposa a Imaculada Virgem Maria, da qual nasceu, pelo Espírito Santo, Nosso Senhor Jesus Cristo, que perante os homens dignou-se ter sido considerado filho de José e lhe foi submisso. E Aquele que tantos reis e profetas desejaram ver José não só viu, mas com Ele conviveu e com paterno afeto abraçou e beijou; e além disso, nutriu cuidadosamente Aquele que o povo fiel comeria como Pão descido dos Céus para conseguir a vida eterna. Por esta sublime dignidade, que Deus conferiu a este fidelíssimo servo seu, a Igreja teve sempre em alta honra e glória o Beatíssimo José, depois da Virgem Mãe de Deus, sua esposa, implorando a sua intercessão em momentos difíceis”. Feito este belo resumo da devoção a São José, quis Pio IX “confiar a si mesmo e os fiéis ao potentíssimo patrocínio do Santo Patriarca José, quis satisfazer os desejos dos Excelentíssimos Bispos e solenemente declarou-o Patrono da Igreja Católica”.

Eis que, em 2020, Francisco comemora os 150 anos do Decreto Quaemadmodum Deus com a publicação da Carta Apostólica Patris Corde [Coração de Pai], de 8 de dezembro de 2020, que deve ser lida na íntegra. Volto-me, agora, às indulgências concedidas para este Ano Josefino, de acordo com a fala de Dom Krzysztof Józef Nykiel, regente da Penitenciaria Apostólica. Explica ele que “o decreto da Penitenciaria Apostólica pretende especificar a forma como o dom da indulgência plenária é concedido aos fiéis por ocasião do Ano de São José, em virtude do que o próprio Papa Francisco estabeleceu.

Portanto, a Penitenciaria concede a indulgência plenária aos fiéis que, além das condições habituais previstas pela Igreja – confissão sacramental, comunhão eucarística e a oração segundo com as intenções do Santo Padre – pratiquem cinco atos particulares de piedade ou obras de caridade ligadas ao modelo representado pelo pai putativo de Jesus. As obras indulgenciais consistem em abrir-se à vontade de Deus, em tomar tempo para a meditação pessoal ou para participar de um retiro espiritual, seguindo o exemplo de José, sempre pronto a aceitar a vontade de Deus; em fazer-se instrumento de justiça e misericórdia do Pai através da realização de obras de misericórdia corporais e espirituais, como José, o ‘homem justo’ (Mateus 1,19); na renovação da comunhão com Deus dentro da própria família e entre os noivos, através da recitação do Santo Terço; na santificação do próprio trabalho confiando-o à intercessão de São José ou rezar por aqueles que são privados de uma ocupação digna; na intercessão pelos cristãos que sofrem formas de perseguição através da oração das ladainhas a São José ou outras fórmulas de oração próprias dos ritos das Igrejas Orientais”.

Perguntado se o Ano Josefino leva em conta o contexto de pandemia, Dom Nykiel respondeu: “Certamente. Invocar o patrocínio de São José à Igreja universal significa, antes de tudo, elevar a ele pedidos de intercessão para pôr um fim a esta pandemia, que está causando tanto sofrimento e dor em todo o mundo, tanto em termos de vítimas como de doentes, assim como em suas pesadas consequências sociais e econômicas. Além disso, no texto do decreto é feita menção especial àqueles que, devido às consequências do contágio, estão impossibilitados de preencher as condições para receber indulgência (os idosos, os doentes, os moribundos). Confiando na intercessão de São José, no conforto dos doentes e do santo padroeiro da boa morte, a indulgência se estende a todos eles se, com espírito desapegado de qualquer pecado e com a intenção de cumprir as condições o mais rápido possível, recitarem um ato de misericórdia em honra do Santo” (Cinco gestos para assemelhar a São José. Vatican.va, 10/12/2020).

Gostaria de terminar com a indicação de um livro e da transcrição de um ensinamento sobre o pai adotivo de Jesus. O livro é São José na vida de Cristo e da Igreja, do Pe. Maurício Meschler, SJ (Cultor de Livros). Obra preciosa que na primeira parte, traça o perfil modesto e humilde do patriarca de Nazaré, para a seguir apresentar a vida de São José na Igreja, o culto que os fiéis lhe prestam e as múltiplas graças que decorrem das suas virtudes. O ensinamento se deve a Santa Teresa d’Ávila, mística carmelita e doutora da Igreja, que diz: “E tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e me encomendei muito a ele […] Não me lembro até hoje de haver-lhe suplicado nada que não me tenha concedido. É coisa que espanta as grandes mercês que me fez Deus por meio deste bem-aventurado santo, e dos perigos de que me livrou, tanto de corpo como de alma; que a outros santos parece que lhes deu o Senhor graça para socorrer em uma necessidade; mas a este glorioso santo tenho experiência de que socorre em todas, e quer o Senhor nos dar a entender, que assim como a ele esteve submetido na terra, pois como tinha nome de pai, sendo guardião, nele podia mandar, assim no céu faz o quanto lhe pede”.

Aprendamos também nós, neste Ano Josefino, a recorrer, ainda com mais fervor, a São José e peçamos a ele que alcance de Deus a graça de imitarmos suas virtudes. Amém!