GUIA PARA A ADORAÇÃO EUCARÍSTICA
Introdução
Há duas coisas que nunca deixam de me causar espanto:
a imensidão e a beleza do céu estrelado, e
a voz de Deus, que ressoa no fundo do coração
do homem. Deus nos fala através do maravilhoso livro
da criação, e também se revela a nós
no santuário da consciência, nas coisas infinitamente
grandes, que nos transcendem, e no mais íntimo do
nosso interior, que também nos ultrapassa. Em palavras
de Santo Agostinho, “superior summo meo, intimior intimo
meo” (maior do que tudo o que há de maior em
mim, mais íntimo do que tudo o que há de mais íntimo
em mim). A vocação é a revelação
misteriosa de Deus a um homem, pó como os outros,
para lhe dar uma missão que supera enormemente as
suas forças. É a vocação do Amor
que convida ao amor e a difundir o amor.
Sempre venerei como pertencentes ao mundo do sagrado esses
homens que escutaram a voz de Deus e que dedicaram as suas
vidas a Ele e ao seu Reino. Mas quando o chamado de Jesus
Cristo se apresentou na minha vida, de repente, de forma
inesperada, com este singelo mas contundente “Segue-me!”,
compreendi que o mistério que envolve a vocação é o
mesmo que palpita no universo: o mistério do amor,
que, como cantou Dante, move o sol e as estrelas. E não
só o sol e os mundos estelares, mas também
o mundo da liberdade humana.
Cada vocação ao sacerdócio, à vida
consagrada, é um poema de amor, único, irrepetível. É um
diálogo de coração a coração,
da criatura livre com o seu Criador, que a chama a prolongar
no mundo o mistério da Encarnação,
de fazer-se “outro Cristo” para a humanidade.
Cristo se apossará deste homem que, sem deixar de
ser argila, leva em si o tesouro do amor de Deus e o oferece
ao mundo. Mas enquanto os homens precisam tanto do amor
de Deus, de Deus mesmo, nos deparamos com o fato de que
há muito poucos, pouquíssimos trabalhadores
na messe do Senhor. O que podemos fazer? Onde buscar os
trabalhadores para a sua messe? Nas famílias, nos
colégios, nas universidades, nas escolas, nos grupos
de jovens. Sim, mas antes de tudo é necessário
pedir ao Dono da messe que envie trabalhadores para a sua
vinha.
Há muitos cristãos que levam a sério
este mandamento do Senhor, e se reúnem em grupos
para pedir este dom a Cristo Eucaristia. E -devo dizer
a verdade- o Senhor não se deixa vencer em generosidade:
dá de mãos cheias. Basta que o peçamos.
Lembro-me, a propósito disso, de um fato que as
religiosas de um convento de clausura da França
contavam com entusiasmo. Levavam anos sem receber vocações.
A maior parte da comunidade se compunha de religiosas idosas,
e elas estavam seriamente preocupadas com o futuro do convento.
Um dia se apresentou no locutório uma família:
os pais e três filhos, duas meninas e um menino.
Tinham ido pedir orações pela saúde
de uma das filhas, que tinha leucemia. A garota ouviu os
comentários sobre a escassez de vocações
no convento e se dispôs a oferecer os seus sacrifícios
e as dores da sua doença por aquela intenção.
Na manhã seguinte, pela primeira vez em muitos anos,
uma jovem bateu à porta do convento, pedindo ser
admitida. Depois dela vieram outras que deram vida novamente àquela
comunidade, agora florescente. Talvez, para alguns, este
caso seja uma mera coincidência, uma casualidade.
Mas aquele que crê nas palavras de Cristo, “pedi
e vos será dado”, vê neste fato, e em
muitos outros semelhantes, a mão bondosa do Pai
que não deixa de escutar a oração
humilde, perseverante e confiante dos seus filhos. Se os
trabalhadores são poucos na Igreja, não será porque
rogamos pouco ao Dono da messe que os envie?
A finalidade deste guia não é mais do que
a de ajudar a viver melhor a oração pessoal
diante de Cristo Eucaristia. Não é original.
Faz uso de orações e elementos usados em paróquias
e em grupos de oração. Mas pode ser de alguma
ajuda. No final traz alguns textos sobre o tema do chamado,
que podem servir como material de meditação
durante a adoração, especialmente para aqueles
a quem o Senhor estiver insinuando em seu coração,
com esse respeito com que Ele trata a nossa liberdade, uma
palavra que pode dar um rumo novo e inesperado a uma vida: “Segue-me!”.
Estou certo de que, diante da Eucaristia, o Espírito
Santo inspirará a cada pessoa a melhor maneira de
orar, dialogando com Cristo, presente realmente sob as espécies
eucarísticas, como Amigo e Mestre. Recomendo fazer
a adoração na companhia de Maria, recordando
que só com uma insinuação em Caná -”Eles
não têm mais vinho”- Ela conseguiu de
Jesus o seu primeiro milagre. Com o seu poder intercessor,
Ela pode converter a água do nosso coração
frio no vinho delicioso e delicado do amor a Deus.
Pedro Barrajón Muñoz, L.C.
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