III. ROGAI AO DONO DA MESSE
Tu já sabias que os operários seriam escassos,
e por isso nos pediste que rogássemos ao Pai para
Ele enviar trabalhadores, para Ele dar vocações
sacerdotais à Igreja. Que grande mistério,
mistério insondável o de uma vocação
sacerdotal! Um jovem ou uma jovem, um adolescente ou um homem
maduro, que sente irromper em sua vida a presença
transcendente de Deus, que o fita e o chama. Porque Tu chamas,
Senhor; não deixas de chamar.
O problema é nosso,
já que nem sempre estamos dispostos a ouvir a tua
voz. Por isso, eu me atrevo a te pedir agora que movas à generosidade
o coração daqueles a quem Tu escolheste para
a vocação sacerdotal ou para a vida consagrada.
Tu lhes pedes uma renúncia total: devem deixar afetos
humanos, família, amigos, às vezes a pátria,
os planos pessoais... E lhes pedes que te sigam. Tu surges
em suas vidas sem aviso prévio, chamando, como Senhor
que és: “Segue-me!”. E queres que nesse
mesmo instante eles deixem na praia de suas vidas todos os
projetos com que até agora vinham sonhando. Como deve
ser difícil para eles deixar tudo, mas ao mesmo tempo,
que alegria sentir na alma o teu olhar de amor e de predileção!
Que orgulho para eles sentir que são os teus prediletos
e os teus amigos íntimos! E no mesmo momento em que
os escolhes, já os destinaste à grande aventura
de pregar o Evangelho! Dá-lhes generosidade, Senhor!
Que não abaixem seu olhar diante do teu, e covardemente
se apeguem às suas próprias riquezas, como
o jovem de quem o Evangelho nos fala; aquele que não
teve coragem de deixar os seus numerosos bens materiais.
Que aqueles a quem chamas, Senhor, saibam ir atrás
de Ti com alegria, sem que nada os detenha no teu seguimento.
Que sejam valentes, que não fiquem enredados na sedução
dos prazeres fáceis do mundo, que te sigam com decisão;
a Ti, que és a Verdade e a Vida. Peço-te, Senhor,
por todos os jovens do mundo, que neste momento precisam
do empurrão da generosidade para dizerem “sim”,
a exemplo de Maria, quando Tu lhe propuseste, por meio do
anjo, ser a tua Mãe aqui na terra. Que percebam, pela
fé, que muito acima das coisas que eles deixam está o
imenso bem que farão a tantos milhares e milhares
de homens, a quem eles conduzirão à sua eterna
salvação, graças a esse “sim” humilde,
mas de uma transcendência infinita. Peço-te
especialmente pelos jovens que eu conheço, e que estão
se questionando seriamente sobre a vocação
sacerdotal.
Dá-lhes a tua luz, para conhecerem a tua
Vontade, e sobretudo, dá-lhes muito amor. Ensina-os
a não buscar evidências nem sinais humanos para
comprovar científica ou racionalmente que Tu os chamas,
pois a vocação não é uma questão
de evidência, e sim de amor. E se algum dia a tua voz
também ressoar na minha consciência, chamando-me
a te seguir, peço desde já que me dês
a coragem para deixar tudo sem olhar para trás, trilhando
com imensa alegria o teu caminho.
Penso agora em todos aqueles a quem Tu concedes o dom especial
de ouvir o teu chamado desde pequenos. Tu os amas com predileção,
pois desde tão cedo os quiseste para Ti e para o teu
Reino. São os adolescentes que estudam nos seminários
menores, com o desejo de chegar, um dia, a receber o grande
dom do sacerdócio. Eles vivem a sua vocação
na pureza, com grande alegria, com essa transparência
cristalina dos corações limpos, e estão
decididos a proteger e defender a todo custo o dom maravilhoso
do qual se sentem possuidores, como escolhidos teus. Peço-te
por eles, Senhor, para que os mantenhas firmes em sua decisão
e os ajudes a viver com entusiasmo os seus propósitos,
diante dos obstáculos que puderem encontrar em seu
caminho.
Também te peço pelos homens e mulheres maduros
que perceberem o chamamento à vida sacerdotal ou à vida
consagrada, para que permaneçam fiéis aos seus
propósitos e se identifiquem plenamente com o plano
que Tu quiseste para as suas vidas.
Peço-te também por todos aqueles que já decidiram
responder ao teu chamado com generosidade, e que se preparam
nos seminários e nos diversos centros de formação
para a vida sacerdotal ou de consagração. Olhando
de fora, dá a impressão de que eles vivem como
que no céu, mas com certeza eles também têm
as suas provações, suas dúvidas, suas
tentações, suas vacilações, suas
fraquezas, como homens que são. Ajuda-os a perseverar
neste caminho que empreenderam, para que não hesitem
em se entregar totalmente, em ser santos, em ser homens cheios
de zelo pela difusão do Evangelho. O mundo precisa
deles assim; nós precisamos deles assim, para que
eles acendam o teu amor em nossos corações
e nos conduzam a Ti com absoluta nitidez.
Não me esqueço, nas minhas orações,
de todos aqueles que receberam o sublime dom do sacerdócio,
e que estão nos confins da terra pregando a tua palavra
e levando o Pão da Eucaristia e a tua reconciliação
a todos os homens. Eles são os operários da
tua vinha, os teus amigos e prediletos. Peço-te pelos
sacerdotes jovens, para que empreguem todas as suas energias
na pregação do teu Evangelho. Pelos sacerdotes
cansados de sê-lo ou pelos que estão atravessando
alguma crise pessoal, para que Tu lhes infundas entusiasmo
pelo seu ministério e os ajudes a ver a grandeza da
missão sacerdotal. Pelos sacerdotes atribulados por
penas interiores, para que Tu lhes dês o bálsamo
do teu consolo. Pelos sacerdotes que perderam o seu fervor
inicial, para que reavives em seus corações
a verdadeira caridade. Pelos sacerdotes que se dedicam à pregação
e ao ensino, para que Tu os ilumines e os guies com o dom
do Espírito Santo.
Aos sacerdotes perseguidos, dá fortaleza
e paz em suas tribulações. Ajuda os sacerdotes
enfermos e anciãos a se unirem a Ti em suas dores,
oferecendo-as pelo bem do Corpo Místico. Ajuda os
sacerdotes que dedicam sua vida aos jovens, para que eles
infundam nos corações daqueles com quem trabalham
o entusiasmo por conseguir a santidade e o autêntico
ardor apostólico. Concede aos sacerdotes dedicados à oração,
nos conventos e mosteiros de vida contemplativa, o dom da
perfeita união contigo e a perseverança nas
suas orações e sacrifícios por toda
a Igreja. Enche de compunção e de confiança
os corações dos sacerdotes que foram surpreendidos
pelo pecado grave, para que eles não hesitem nem sequer
por um instante em se aproximar de Ti, que és a fonte
do perdão e da reconciliação.
Conforta todos os sacerdotes da tua Igreja, Senhor. Sustenta-os
na sua vocação e na sua missão. Faze
com que sejam dignos do seu ministério. Dá-nos
sacerdotes santos, pois precisamos dessa santidade em nossas
vidas. Peço especialmente por todos aqueles que dedicam
a sua vida à promoção das vocações.
Ilumina-os, para que saibam chamar em teu nome os jovens
de hoje com a mesma força com que Tu o fizeste durante
a tua vida pública. Outorga-lhes o dom do discernimento
das vocações e a valentia necessária
para apresentar sem medo o teu chamado, conscientes de que
propor aos jovens o chamado de Cristo é o maior bem
que lhes podem oferecer. (cfr. João Paulo II, Carta
aos sacerdotes, Quinta-Feira Santa de 1985).
Também te peço de maneira especial que as famílias
saibam acolher e valorizar em toda a sua grandeza o dom da
vocação sacerdotal ou da vida consagrada. Para
alguns pais, é um verdadeiro drama o fato de que um
filho seu queira ser sacerdote ou se consagrar a Ti. Prefeririam
vê-lo escravizado pelos piores vícios. Ao contrário,
outros valorizam em seu justo peso a grandeza da vocação,
e te pedem insistentemente o dom de um filho sacerdote ou
de uma filha consagrada. Peço-te, Senhor, que cresça
cada vez mais o número de famílias desse tipo,
que apreciam a vocação como um dom para todos
os do seu lar. Concede à tua Igreja, Senhor, famílias
que vivam de tal maneira o Evangelho, que as vocações
brotem nelas como o fruto maduro da intensa vida cristã que
as rege.
Protege as nossas famílias. Faze que elas
sejam lugares onde imperem teu amor e tua paz. Oásis
de fé e de esperança, em que todos os seus
membros, unidos na oração e em torno a Maria,
acolham com amor o mistério da vida. Essas famílias
serão o lugar mais adequado para viver e transmitir
a fé e para preparar as almas dos futuros apóstolos
do teu Reino.
Peço-te que o dom da vocação seja cada
vez mais valorizado na sociedade, pois cada vocação é um
presente para a humanidade inteira e para a comunidade na
qual ela vive e atua, comunicando a tua mensagem e a tua
graça salvadora aos homens que a integram.
Ofereço-te também, pelas vocações,
os meus pequenos sofrimentos, dores, incômodos, sacrifícios,
fracassos. Vou me esforçar pessoalmente para promovê-las
e apoiá-las em tudo o que for possível, material
e espiritualmente.
Por último, te ofereço também a minha
própria vida, para que Tu faças dela um instrumento
através do qual possas continuar falando aos homens.
Faço minhas as palavras do Pe. Maciel, fundador dos
Legionários de Cristo, que, aos 26 anos de idade,
vendo as necessidades do mundo, rezava assim:
Quando penso no mundo que se apaga e morre
por falta de Cristo;
Quando penso no caos profundo
em que a humanidade, inquieta e cega, se precipita
por falta de Cristo;
Quando vejo toda essa multidão de operários
afiliar-se ao comunismo
por falta de Cristo;
Quando me deparo com a força da juventude
murcha e destroçada já na primavera da vida
por falta de Cristo...
Não posso afogar as queixas do meu coração!
Queria multiplicar-me, dividir-me,
para escrever, pregar, anunciar a Cristo.
E das entranhas mais profundas do meu ser,
do próprio espírito do meu espírito,
brota, contundente, este único grito:
MINHA VIDA POR CRISTO!
Recristianizar a humanidade!
Eis a nossa missão!
Eis a nossa finalidade!
Eis a razão do nosso humilde Instituto.
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