2 - Eis alguns textos áureos da Bíblia Sagrada:
a) “Porei inimizade entre ti e a Mulher, e entre a tua descendência
e a dEla. Ela te esmagará a cabeça, e tu tentarás
ferir o seu calcanhar”. (Gên. 3,15)
Comentário: o texto acima é a 1ª profecia da
vinda do Salvador feita por Deus logo após a queda de nossos
primeiros pais. Nele, ao grupo dos vencidos (Adão e Eva) Deus
contrapõe o grupo dos vencedores (Jesus e sua Mãe).
- A “descendência da mulher” (no original: sêmen,
prole), é, num 1º plano, Jesus Cristo; e, num 2º plano,
são todos os remidos que correspondem à graça
da Redenção. - O termo "Ela", como sujeito
de “esmagará”, se refere diretamente à "prole",
a Jesus. Mas, será através da natureza humana de Cristo,
recebida de Maria, que o poder de Satã será quebrado
por Cristo unido à sua Mãe. Logo, também Ela,
a "Mulher invicta" desta profecia, com o seu Filho, quebrará a
cabeça de Satã. - O termo "inimizade" indica
a incompatibilidade absoluta entre Cristo e sua Mãe de um lado,
e Satã e os seus aliados, do outro; indica ainda a vitória
completa de ambos sobre o Maligno.
b) Dois textos de Isaías:“Eis que a Virgem conceberá e
dará à luz um Filho, o Emanuel (Deus conosco)”.
(Is. 7,14) “Nasceu-nos um menino ...Ele será Deus forte
...”. (Is. 9,5)
c) Outros textos de S. Lucas:“Ave, ó cheia de graça...” (Lc.
1,28);“...darás à luz um Filho, e Lhe porás
o nome de Jesus; (...) Ele será Filho do Altíssimo” (Lc.
1,32); e "Filho de Deus" (Lc. 1,35); "Bendita és
tu entre as mulheres; ( ...) donde me vem a dita de vir a mim a Mãe
de meu Senhor?". (Lc. 1,42-43)
- Esses textos sagrados destacam as várias grandezas singulares
de Nossa Senhora:
3 - A Maternidade Divina: É evidente:
1º) No texto “a”,
a descendência da Mulher (sêmen, prole) é, no 1º plano,
Jesus Cristo. E então a “mulher singular" da profecia é a
sua verdadeira Mãe. E como Cristo é Deus, Ela pode e
deve chamar-se Mãe de Deus.
2º) Confirma-se isso com os textos da letra “b” (Is.
7,14), pois “a Virgem” é predita aí como
a verdadeira Mãe do Emanuel (Deus conosco), portanto, Mãe
de Deus.
3º) O mesmo afirmam os textos da letra “c” (Lc.
1,31-32;1,42-43), pois aí se declara que Maria Santíssima é a
verdadeira Mãe "do Filho do Altíssimo”, “do
Filho de Deus” e a "Mãe de meu Senhor”.
- Argumento de razão - Podemos e devemos chamar a Virgem Maria “Mãe
de Deus” porque o objeto-termo de toda maternidade é a
pessoa. Não se diz que a mãe é mãe da
natureza do filho, mas da sua pessoa. E a Pessoa, em Cristo, é a
2ª da Santíssima Trindade, o Filho de Deus. Na Virgem
Maria se realiza, pois, este mistério: ser Ela, ao mesmo tempo, "Mãe
de Deus e de Deus filha". Ela participa do mistério do
seu Filho que é "Deus e Homem ao mesmo tempo".
- Maternidade espiritual - também. De fato, como no 2º plano,
aquela "Mulher" é Mãe da "prole" também
no sentido de "descendência", Maria Santíssima é Mãe
espiritual dos remidos. O que o próprio Jesus na Cruz confirmou,
na pessoa de São João, ao dizer à sua Mãe: "Mulher,
eis aí o teu filho". São João, então,
representava a todos os remidos.
- Medianeira - também. Realmente, como Deus deu às
mães, como ofício próprio da maternidade, prover
o alimento dos filhos, assim Cristo, ao dar à sua Santa Mãe
o ofício da maternidade espiritual, deu-Lhe também todas
as graças necessárias para a salvação
de seus filhos espirituais. Senão esse título seria
meramente nominal. Ela é, pois, Medianeira de todas as graças
de Cristo para nós.
4 - A Imaculada Conceição - Essa prerrogativa é conseqüência
da primeira. Destinada a ser Mãe verdadeira e virginal de Cristo-Deus,
não podia Ela ter contato com o pecado. Ademais, se a alguém
fosse dado poder escolher a própria mãe, não
escolheria a mais virtuosa, a mais pura, a mais santa? E Jesus não
só pôde escolher a Sua Mãe, mas criá-lA,
pois é Deus. Ele A fez, pois, imaculada, isenta de toda a culpa
original. É a razão de conveniência.
Mas, essa verdade está contida no próprio texto da
Bíblia (Gên. 3,15), pois aí se prediz para o futuro
Salvador e para a sua Mãe, uma inimizade total com Satã,
que implica derrota total deste. Isso é incompatível
com a condição de quem tivesse estado, por um momento
sequer, sob o pecado e, pois, sob o poder do Maligno. É claro
que isso pressupõe a concepção imaculada, não
só de Cristo-Homem, mas também de sua Santa Mãe.
5 - O ofício de Corredentora - Também está contida
no texto de Gên. 3,15 a verdade de que aquela Mulher invicta,
posta por Deus em total inimizade com o Demônio, ia participar
de todos os sofrimentos e lutas do futuro Redentor. De fato, a Virgem
Maria participou da Paixão de Jesus no grau máximo,
sofrendo em união com Ele as dores mais atrozes, oferecendo-O
a Deus Pai como Vítima por nós. Ela sacrificou-Lhe também
o direito natural de Mãe sobre o próprio Filho. Todos
esses sacrifícios já estavam incluídos na aceitação
da maternidade divina. Ela cooperou voluntariamente para nossa Redenção.
6 - A Assunção corpórea ao céu - A vitória
de Cristo sobre Satã, o pecado e a morte foi realizada na Paixão
e Morte na Cruz, mas se tornou completa e patente com a sua Ressurreição
e Ascensão ao Céu. Ora, o texto do Gênesis associa
inseparavelmente o Messias e a sua Mãe na mesma luta e na mesma
Vitória final e completa. Ora, a vitória de Maria Santíssima
não seria completa se o seu corpo imaculado e virginal tivesse
ficado sujeito à corrupção do sepulcro. Jesus
Cristo não o permitiu, mas A elevou ao Céu em corpo
e alma, no fim de sua vida. Assim cumpriu-se plenamente aquela magnífica
profecia.
RESPONDENDO OBJEÇÕES
7 - Os protestantes não cessam de
injuriar a Jesus, rebaixando a sua Santa Mãe à condição
de uma mulher comum, pela interpretação errônea
que dão
a alguns textos.
Vejamos na Bíblia como isso é falso: - No encontro
de Jesus no Templo, Ele não argüiu a Sua Mãe de
não saber que Ele“devia cuidar dos interesses de seu
Pai”. (Lc. 2,49) Não era esse o sentido das suas palavras
no contexto. Era antes o seguinte: "Não sabeis que devo
estar no que é de meu Pai ?" (sentido literal) Assim,
era normal que sua Mãe entendesse a resposta no sentido de "ficar
morando no Templo", a exemplo de Samuel. Por isso, em Lc. 2,50
lemos: "Eles não entenderam o que Jesus lhes dissera".
8 - Em Caná, a Mãe de Jesus
Lhe informou ter acabado o vinho para os convidados. Jesus
respondeu usando a expressão
semítica (da língua hebraica): “Mulher, que há entre
mim e ti?“ E acrescentou: “A minha hora ainda não
chegou”. (Jo.2,4) A expressão usada por Jesus tem um
sentido próprio daquela língua.
De fato, verificou-se que ela foi usada, pelo menos seis (6) vezes
na Bíblia do Anigo Testamento, nas quais se supõe resposta
negativa: “não há nada”; uma ou outra vez,
indica que “não há nada” porque há oposição;
as outras indicam que as partes estão de acordo. (Cf. 2 Reis
3,13; 2 Sam.16,10; 19,22; Jz. 11,12; 1 Reis 17,18; 2 Crôn. 35,21)
Note-se que essas citações conferem com a tradução
literal da frase latina:"Quid mihi et tibi est?" = “Que
há entre mim e ti?”, sem as acomodações
ao nosso modo de falar, como por ex., “Que nos importa isso
a mim e a ti?”, ou “Que queres de mim ?”, como hoje
se costuma fazer.
Em Caná é claro o sentido de pleno acordo quanto ao
fato da providência solicitada (o milagre), com pequena restrição
quanto à sua oportunidade. Daí Jesus dizer:“a
minha hora ainda não chegou”. Mas antecipou essa hora,
e fez o milagre, atendendo a intenção caritativa de
sua Santa Mãe.
9 - Quanto ao apelativo “Mulher”,
dizem os peritos da língua que Jesus falava, o aramaico, que
tem um sentido respeitoso equivalente a “Senhora”. E que
dizer do acento de respeito desta palavra na boca de Jesus
ao dirigir-se à sua
Santa Mãe! Sobretudo no contexto de Caná e da Cruz.
Jesus, o melhor dos Filhos, deve ter-Se dirigido à sua santa
Mãe com acentuado carinho e respeito filiais. Nesse contexto,
tal apelativo lembra ainda a "Mulher" da profecia do Gênesis.
(3,15) Então, Jesus Se projeta ao lado de sua Mãe como
dando cumprimento àquela profecia.
10 - Por fim, Jesus pregava numa casa cheia
de gente. Avisam-Lhe que lá fora estão sua Mãe
e os seus (chamados) irmãos. (primos-Ver “F. C. nº 12)
Jesus responde:"Minha
Mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra
de Deus e a põem em prática". (Lc. 8,21) É claro
que Jesus não está negando à sua Santa Mãe
a honra de ser a primeiríssima entre os ouvintes e praticantes
da palavra de Deus, antes o supõe, e é seu principal
título de glória. O mesmo se diga de Lc.11,27-28.
Autor: Desconhecido
Fonte: site do Seminário de Campos
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