O que dá embasamento a esta prática é que
o Pai-Nosso foi a oração ensinada pelo próprio
Cristo aos seus discípulos. A Ave-Maria repete as palavras
pronunciadas pelo anjo Gabriel e a verdade de que ela é a Mãe
de Deus (Theotókos), reconhecida no Concílio de Nicéia,
no ano 431 D.C.
Historicamente, o Rosário teve origem nos monges irlandeses,
nos séculos VIII e IX, que recitavam os 150 salmos. Os leigos
das redondezas apreciavam o costume, mas não podiam acompanhá-los
porque não sabiam ler. Então sugeriu-se que eles rezassem
150 Pai-Nossos em vez dos salmos, que mais tarde foram substituídos
por 150 Ave-Marias. Eram orações espontâneas,
visto que ainda não havia regulamentação da Igreja,
e a piedade começou a espalhar-se.
A história do Rosário é um longo seguimento
de maravilhas, graças e bênçãos, concedidas
a todos os que o recitem.
Começou assim: Surgiu, no sul da França, certa seita
de hereges, propagadora de doutrinas perniciosíssimas e extremamente
cruéis para a Igreja e para a própria sociedade civil.
Infelizmente, depressa aumentou o número dos seus adeptos,
cuja violência se manifestava pelo incêndio das igrejas,
pelo saque das cidades e pelo assassínio de gente pacífica,
só porque recusava aceitar os seus vis ensinamentos.
Pouco a pouco atraíram a si homens de grande influência.
O Papa mandou vários santos missionários para tentar
convertê-los, mas em vão.
Os reis enviaram contra eles os seus exércitos, mas sem resultado.
Eram tais os excessos por eles praticados que mais pareciam demônios
saídos do inferno do que homens.
Foi então que surgiu São Domingos; por muito santo que
fosse, nem mesmo ele conseguiu demovê-los. Estavam bastante
endurecidos, e não se convertiam.
Nas suas dificuldades, este grande servo de Deus costumava pedir
auxílio a Nossa Senhora. Dizem as maiores autoridades, entre
elas Santo Antonino, que São Domingos teve em vida muitíssimas
visões de Nossa Senhora.
Ele mesmo confessou que a Virgem Santíssima não recusara
escutá-lo.
Maria declarou solenemente, por três vezes, que a ordem de
São Domingos era a Ordem dela e deu aos frades dominicanos
o escapulário branco, que forma a parte distintiva do seu hábito.
São Domingos recorreu a Maria, com confiança ilimitada
e, em resposta à sua oração, ela inspirou-lhe o
Rosário como arma, pela qual ele haveria de conseguir as mais
extraordinárias vitórias sobre o mal. Mas o Rosário
de Domingos não era tal qual o temos hoje. Consistiria na pregação
dos Mistérios principais da nossa salvação, o mais
popular possível, sem deixar de ser bíblica, levando os
ouvintes depois à recitação do PAI Nosso (Oração
dominical) da Ave Maria (Saudação Angélica) sem
a "Santa Maria" que foi introduzida posteriormente.
O Papa S. Pio V (1565-1572) foi o primeiro a instituir a devoção,
em comemoração à grande vitória contra
os muçulmanos, na Batalha de Lepanto, pois havia pedido, na
batalha anterior, que toda a Cristandade rezasse o Rosário.
Também por este motivo, ele criou a invocação "Nossa
Senhora, Auxílio dos Cristãos". Em 1716, o Papa
Clemente XI instituiu a festa de Nossa Senhora do Rosário no
primeiro domingo de outubro, que coincide proximamente com esta grande
vitória. A devoção expandiu-se em todos os
tempos, sendo rezada inteira ou em três terços.
Com esta maneira de pregar e orar, Domingos converte, num espaço
de tempo incrivelmente breve, milhares de hereges, e tão eficientemente
que, muitos dos convertidos, se tornaram eminentes na santidade.
Foi esta, digamos assim, a primeira grande vitória do Rosário.
Desde então, milhares de Santos, Bem-aventurados, apóstolos
e missionários da Ordem Dominicana, tem espalhado esta devoção
por toda a Cristandade.
Sobressaíram no século XV o Bem-aventurado Alano de
La-Roche, na Bretanha (França), Félix Fábri e
Tiago Sprenger, em Colônia (Alemanha). Foi Tiago Sprenger quem,
em Colônia, fundou a primeira Confraria do Rosário divulgada,
depois por toda a Igreja.
A Batalha de Lepanto
No ano de 1571 tinham os turcos atingido o apogeu do seu poder. Pareciam
ter a Cristandade nas mãos.
Os seus exércitos inebriavam-se com a vitória. Sentiam-se
poderosos, estavam bem equipados e eram conduzidos por generais habilíssimos.
A sua armada era superior em tudo à armada que os cristãos
tinham para se defender.
Estavam já em seu poder províncias das mais belas e
tinham agora por objetivo dominar a França e a Itália,
apoderar-se de Roma e transformar a Basílica de São
Pedro em mesquita turca. São Pio V governava a Igreja; e este
santo e grande Pontífice estava aterrorizado com o perigo que
ameaçava arruinar a própria civilização
cristã.
Além de fracos, os governos cristãos estavam, infelizmente,
muito divididos entre si. Intrigas, animosidades pessoais, ambições
de cargos importantes impediam aquela união perfeita que se
tornava tão necessária para resistir ao inimigo comum.
São Pio V pôs toda a sua confiança no Rosário,
trabalhando, ao mesmo tempo, incansavelmente por unir as, aliás
fracas, forças cristãs.
Por fim, deu ordem para que a armada dos cristãos se fizesse
ao largo; e, embora eles fossem inferiores aos turcos em número,
equipamento, artilharia e navios, incitou-os a que se batessem sem
receio em nome de DEUS e de Nossa Senhora.
As duas esquadras defrontaram-se no dia 7 de Outubro.
Como para aumentar as dificuldades dos cristãos, o vento era
lhes contrário, circunstâncias que, nesses tempos de
navegação à vela, podia tornar-se desvantagem
fatal.
Mas, obedecendo às ordens do Sumo Pontífice e colocando-os
debaixo da proteção de Maria, a armada cristã investiu
contra o inimigo com animo admirável.
E de súbito, o vento, que se mostrava tão adverso,
mudou soprou com violência contra os infiéis.
A batalha durou umas poucas horas, com fúria encarniçada
acabando pela total derrota da armadura turca.
Tão completa e esmagadora foi a vitória que o poder
do Islã ficou esmagado e salva a Cristandade.
Durante esses terríveis dias, e especialmente no dia da batalha
São Pio V orava fervorosamente a Nossa Senhora do Rosário
co fervor intenso, recorrendo assim à Mãe de Nosso Senhor
JESUS CRISTO.
No momento da vitória entrou em êxtase e teve a revelação
de que os cristãos tinham vencido.
Voltando-se para os que o rodeavam, São Pio V deu-lhes a boa
notícia e todos ajoelharam para dar graças a DEUS e à Nossa
Senhora.
Para recordar e agradecer a DEUS pela vitória de Lepanto,
alcançada pelas armas cristãs nesse 7 de Outubro de
1571, a Santa Igreja instituiu a festa de Nossa Senhora do Rosário.
Prescrita primeiramente por Gregório XIII para certas Igrejas,
foi estendida por Clemente XI ao mundo católico, em ação
de graças por um novo triunfo alcançado por Carlos VI
da Hungria sobre os Turcos em 1716.
Recomendações da Igreja
O Rosário foi aprovado solenemente pela Santa Igreja, e tem
sido louvado e recomendado pelos papas e por eles enriquecido no correr
dos tempos, com muitíssimas e notabilíssimas indulgências.
Ainda mais, os Soberanos Pontífices, quiseram que esta devoção
tivesse no círculo litúrgico festa especial e se celebra
com grande solenidade todos os anos, é o dia 7 de outubro;
e comprazeram-se em derramar sobre a mesma devoção com
liberalidade, sem limite o tesouro das Indulgências.
Passados séculos, agora em nossa época, à festa
do Rosário veio juntar-se outra grande graça pontifícia,
o Mês do Rosário, que é obrigatório para
toda a Igreja Católica.
Autor: --
Fonte: Seminário da Adm. Apostólica Pessoal São
João Maria Vianney
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